Review Música: Ozzy Osbourne em São Paulo


Já vi Mick Jagger cantar Satisfaction para mais de um milhão de pessoas, vi Roger Waters tocar o Dark Side de ponta a ponta, e mês passado vi pela segunda vez Iron Maiden e sua poderosa presença de palco.
Mas o que eu pude ver na noite de ontem talvez tenha sido uma experiência ainda maior.
Em um show para pouco mais de 39 mil pessoas, Ozzy Osbourne mostrou ao público que ainda tem muita estrada pela frente.
A noite musical começou às 19:30 com Black Label Society, banda de Zakk Wylde, também guitarrista de Ozzy Osbourne. Em seguida entrou a banda americana Korn.
Ambas serviram como aquecimento para a verdadeira figura da noite: Ozzy F%#*ing Osbourne.
Quando o Korn deixou o palco, a agitação começou na platéia, enquanto os rodies arrumavam o palco, uma projeção com o logo de Ozzy aparecia para a alegria da galera. Logo, Ozzy, falava ao público sem subir ao palco… Contagiando o público e fazendo com que todos gritassem o seu nome.
De repente no telão, uma sacada de gênio aos moldes de Frango Robô. Ozzy Osbourne aparece em vídeo protagonizando diversos personagens do cinema e da televisão. Paródias hilariantes de Lost, Piratas do Caribe, The Office e até mesmo do premiado “A Rainha”. As imagens apareciam como se alguém estivesse trocando de canal, e Ozzy estivesse em todas as estações, daí a referência ao Frango Robô.
No final, os telões apagaram e se ouvia nas caixas de som a clássica “Carmina Burana”, uma das óperas mais tocadas no mundo.
Ozzy abriu o show com uma canção do Black Rain, último disco do Madman: “I Don’t Wanna Stop”. Seguida da clássica “Bark At The Moon”, mostrando que sua voz continua singular tal como em seu álbum homônimo de 1983.
Em seguida Ozzy trouxe ao público a controversa “Suicide Solution” e “Mr Crowley”, ambas do primeiro disco, executadas com maestria pela banda.
A próxima música: “Not Going Away”, do último trabalho do cantor não empolgoui tanto, mas realçou ainda mais o momento mais espetacular do show inteiro.
Ozzy pergunta ao público: “Agora vou tocar uma música do Black Sabbath, qual será??”
E para a surpresa de todos:
“WAR PIGS”. (a música não estava entre as tocadas em outros show da turnê)
Foi sem dúvida a melhor música que já presenciei ao vivo, Zakk manteve a integridade da canção de Tony Iommi. Enquanto Ozzy reafirmava a sua qualidade como vocalista. Nos telões imagens de aviões de guerra, exércitos marchando e destruição em massa.
O show seguiu com a balada “Road To Nowhere”, a enérgica “Crazy Train” com um dos melhores riffs da história do Rock. Enquanto Zakk Wylde “solava” em um momento virtuose, sua guitarra ficava ensaguentada por causa de um ferimento em sua mão direita. Um momento “Raining Blood” da noite.
Depois ouvimos a clássica “Iron Man”, do segundo disco do Black Sabbath. E o que poderia ter sido uma injeção letal de adrenalina acabou se tornando um dos pontos baixos do show. Zakk Wylde resolveu alterar o solo da música, e emendar direto com a próxima canção “I Don’t Know”. Deixando os fãs de Sabbath chateados por terem ouvido um de seus principais hinos tesourados.
A animação voltou com tudo com “No More Tears”, música muito aclamada pelo público, e provavelmente a melhor música da banda desde a entrada de Wylde nas guitarras. O show seguiu com “Here For You” e “I Don’t Wanna Change The World” tocada antes da banda banda deixar o palco.
Minutos depois, Ozzy e sua trupe voltam para o bis com “Mama I’m Coming Home” e fecham o show da melhor forma possível, com a clássica “Paranoid” de 1970.
Um banho de som para lavar a alma.
Espero que Ozzy não espere 13 anos para voltar ao Brasil de novo. Pois a lembrança deste show, vai ficar por muito tempo na memória das quase 40 mil pessoas que lotaram o Palestra Itália neste sábado.
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Review Música: Catarse e a Donzela

Domingo, dia 2 de março de 2008.

Domingo, dia 2 de março de 2008.
Mais de 37 mil pessoas lotam o estádio Palestra Itália, não para ver o clássico entre Corinthians x Palmeiras, que acontecia do outro lado da cidade, mas para ver o Iron Maiden.
A movimentação do show começou muitas horas antes do espetáculo começar, tanto é que muitos bares já não tinham mais cerveja no meio da tarde, tamanha a sede do público.
Após algumas boas horas de espera, X-burgers de qualidade duvidosa e cervejas a preço abusivo. São Pedro, olhou lá de cima e disse:
- Vou fuder esses caras!
E como uma criança que não consegue segurar o xixi na estrada, descarregou uma curta, porém intensa chuva de verão sobre nossas cabeças.
A chuva serviu apenas para refrescar e para anunciar a chegada do Todo Poderoso: Bruce! (nada de Jim Carrey e os peitões da Jenniffer Aniston). Mas Bruce Dickinson e uma extraordinária coleção de clássicos oitentistas para fã nenhum botar defeito.
Abrindo o show com o discurso de Churchill (um dos mais marcantes da segunda guerra), que serviu para arrepiar e preparar o público para a fantástica setlist que iniciou com “Aces High”, com os vocais poderosos, que confirmam Bruce Dickinsoncomo um dos melhores vocalistas de todos os tempos. Seguida pela virtuosa “2 Minutes to Midnight” e pela “Revelations” (que não era tocada ao vivo há muito tempo).
E mais rápido que as modelos da Victoria’s Secret, Bruce troca de roupa para cantar a enérgica “The Trooper”. O show a partir daí, fica cada vez melhor, e tem em um de seus pontos mais altos a épica “Rime of The Ancient Mariner”, com quase 15 minutos, proporcionando o mais belo momento do show, quando o público acendeu seus isqueiros do novo século, abrindo os celulares e agitando-os no ar, criando um mar de luzes dentro do estádio.
Resolvi tomar mais uma cerveja para pensar menos e me aprofundar mais na experiência, e vi um enorme grupo de fãs subir ao palco para cantar junto da banda “Heaven can Wait”, uma das agradáveis surpresas do show.
Seguida do primeiro filho bastardo da noite “Fear of The Dark”, a música que os fãs mais hardcore adoram dizer que não gostam (muito em parte por ela ter virado um hit fora do mundo metal). Mas não tem jeito, foi uma das músicas mais aclamadas pelo público, celebrando a primeira música fora do grupo de álbuns celebrados pela turnê.
Em seguida a “Run to the Hills” injetou um pouco mais de adrenalina nas veias dos fãs para ouvir o segundo e último bastardo “Iron Maiden”, faixa título do primeiro álbum da banda lançado em 1980, e como tradição um Eddie enorme de quase 4 metros invade o palco para rivalizar com os duelos de guitarra dos três talentosos musicos. Se despedindo e deixando o palco em grande estilo, para voltar em seguida com um bis de três músicas.
“Moonchild”, “Clairvoyant” e “Hallowed be Thy Name” fecham a noite e coroam esta como uma das melhores apresentações da banda no país. Fazendo com que o sorriso venha fácil ao rosto mesmo em meio ao aperto da saída.